
Sábado passado fui ver a exposição desta artista de origem mexicana, que se consagrou como uma das figuras mais importantes do século XX. Embora a sua produção pictórica conte com apenas 200 obras de arte, a verdade é que a sua obra, a sua imagem e a sua vida suscitam grande curiosidade e profunda admiração. Cinco décadas após a sua morte, Frida continua a exercer um enorme fascínio pela sua arte controversa, os seus amores difíceis e o seu sofrimento físico.

«No dia 17 de Setembro de 1925, Frida viajava acompanhada por Alejandro Arias, seu namorado, num autocarro que ia para Coyoacán. Regressavam do liceu. A artista recordou o acidente da seguinte maneira:
Pouco tempo depois de entrarmos no autocarro deu-se a colisão. Tínhamos apanhado outro autocarro, mas como tinha perdido a minha sombrinha saímos para ir procurá-la. Foi por essa razão que entrámos naquele autocarro, que me destruiu. O acidente deu-se numa esquina, em frente ao Mercado de San Lucas, exactamente em frente. O eléctrico seguia lentamente, mas o nosso condutor era um jovem muito nervoso. O eléctrico, ao dar a volta, arrstou o autocarro contra a parede.
Eu era uma rapariguita inteligente, mas pouco prática, apesar da liberdade que tinha conquistado. Talvez por isso, na altura, não tenha medido a situação nem tenha intuído a natureza das minha lesões. A primeira coisa em que pensei foi no bolero de cores bonitas que tinha comprado nesse dia e que levava comigo. Tentei procurá-lo, pensando que tudo aquilo não teria consequências de maior.
É mentira que nos damos conta do choque, é mentira que se chora. Em mim não houve lágrimas. O choque atirou-nos para a frente e um corrimão trespassou-me como uma espada a um touro. Um homem percebeu que eu estava com uma grande hemorragia, pegou em mim e pousou-me sobre uma mesa de bilhar até que a Cruz Vermelha me veio buscar.
Frida nunca teve coragem de representar o acidente numa pintura. No entanto, fez alguns desenhos e esta pintura intitulada "O autocarro", na qual se podem observar as pessoas que viajavam neste tipo de transportes.»
Finalizo apenas recomendando vivamente o filme "Frida", é excelente! :)